Três soluções fecham um terreno. Custam valores diferentes e resolvem problemas diferentes. A escolha certa costuma ser a mistura das três, por troços.

O que a lei permite

O direito de fechar o prédio é do proprietário.

Artigo 1356.º (Conteúdo)

A todo o tempo o proprietário pode murar, valar, rodear de sebes o seu prédio, ou tapá-lo de qualquer modo.

Código Civil, Livro III

O artigo não escolhe a solução. Escolhe quem paga. As limitações vêm do regulamento municipal e das regras de boa vizinhança.

Rede

Marca o limite e impede a passagem. Não dá privacidade nem corta o ruído.

  • Monta-se depressa e é a solução mais barata por metro.
  • Em terreno com animais tem de ir enterrada. O que escava passa por baixo.
  • A rede rígida em painéis custa mais do que a malha simples e aguenta mais.
  • Apanha pouco vento. Em sítio exposto isso é vantagem real.

Comparação feita por quem já vedou terreno grande: rede ou muro para vedar um terreno grande. E a diferença entre tipos de malha: rede electrossoldada ou rede ovelheira.

Muro

Dá privacidade, corta o ruído e define a imagem da casa. É a solução mais cara por metro e a que exige fundação.

  • Superfície cheia apanha vento. Em sítio exposto exige pilares e sapata a sério.
  • Precisa de drenagem se segurar terra, mesmo pouca.
  • Em pré-fabricado dispensa reboco e pintura. Em blocos não.

Quando o muro deixa de ser vedação e passa a ser estrutura, muda tudo: quando é necessário um muro de suporte de terras.

Sebe

A sebe é a solução com regra jurídica própria. Antes de plantar na estrema, é preciso marcar o limite.

Artigo 1359.º (Sebes vivas)

1. Não podem ser plantadas sebes vivas nas estremas dos prédios sem previamente se colocarem marcos divisórios.
2. As sebes vivas consideram-se, em caso de dúvida, pertencentes ao proprietário que mais precisa delas; se ambos estiverem no mesmo caso, presumem-se comuns, salvo se existir uso da terra pelo qual se determine de outro modo a sua propriedade.

Código Civil, Livro III

Quem planta sem marcos fica sem prova de onde acaba o terreno. Dez anos depois, a discussão é outra.

Artigo 1366.º (Plantação de árvores e arbustos)

1. É lícita a plantação de árvores e arbustos até à linha divisória dos prédios; mas ao dono do prédio vizinho é permitido arrancar e cortar as raízes que se introduzirem no seu terreno e o tronco ou ramos que sobre ele propenderem, se o dono da árvore, sendo rogado judicial ou extrajudicialmente, o não fizer dentro de três dias.

Código Civil, Livro III

Raízes e ramos têm regra escrita. Vale a pena lê-la antes de plantar cedros a 30 cm do vizinho: a sebe do vizinho tem limite de altura.

Em tempo: a sebe não fecha nada no primeiro ano. Conte dois a quatro anos até dar privacidade, com rega e cortes. sebe viva em vez de muro.

A escolha que costuma sair certa

Dividir o perímetro por troços e dar a cada um a solução que ele pede.

  • Frente e zona da casa — muro. É onde interessa privacidade e imagem, e é pouca metragem do total.
  • Laterais junto a vizinhos — muro ou rede com sebe à frente, conforme o orçamento.
  • Fundo e limites com campo aberto — rede. Ali só interessa marcar o limite.

Quem faz muro em todo o perímetro gasta muito nos três quartos que ninguém vê. Quem faz rede em tudo poupa e depois vive com a sala à vista de quem passa. A conta por troços está feita aqui: vedar 200 m de terreno: rede, chapa ou muro.

Antes de pedir orçamento

  • Meça o perímetro e separe os troços por solução.
  • Confirme a altura permitida no seu concelho, para a estrema e para a rua.
  • Decida o vão do portão antes, não depois.
  • Peça preço por metro para cada solução, em separado.

Casos reais e números discutem-se no Fórum da Obra.

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